Muitas
pessoas têm nos perguntado porque o Movimento Estudantil combativo da UEM saiu
separado nessas eleições do DCE de 2014. Queremos com essa nota, explicar o motivo
de lançarmos a Chapa 1 – Contra-Corrente e nossos desacordos, que se acentuaram
no processo eleitoral, com pontos que @s companheir@os da Chapa 3 – Voz Ativa
levam em sua campanha.
Desde
o fim de 2010, a Movimente-se UEM funcionou como um grande aglutinador dos
grupos, coletivos e estudantes combativos da UEM. Nos empenhamos muito em sua construção
cotidiana, pois entendíamos que ela era uma ferramenta indispensável para a
luta d@s estudantes contra a precarização imposta pelo governo Richa ao
cotidiano da Universidade.
Nas
eleições da reitoria desse ano, o grupo que organizou e deu início à Chapa Voz
Ativa, se dedicou totalmente à campanha pra Chapa vencedora, apoiando de forma
ampla e irrestrita, sem uma linha sequer de crítica ao programa apresentado
pela Chapa Atuar e Mudar ou em defesa da necessidade do Movimento Estudantil se
organizar de forma independente da reitoria. Entendemos que, de fato, os
professores Mauro Baesso e Júlio Damasceno (novos reitor e vice) representavam
uma oposição ao que estava colocado para nós e uma possibilidade de avanço no
diálogo com @s estudantes, porém de forma muito limitada. Acreditamos que tal
posicionamento, acrítico, gera a ilusão n@s estudantes de que grande parte dos
problemas da Universidade será resolvida através da reitoria e não com nossa
organização e luta.
A divisão nas eleições do DCE
Apesar
de tudo isso que apontamos acima, no processo de eleição do DCE desse ano,
expusemos (mesmo que informalmente) aos membros dirigentes da Chapa Voz Ativa
que acreditávamos que a esquerda deveria sair unificada nessas eleições, mas que
se el@s optassem por sair separados, não nos absteríamos da participação no
processo. Não houve resposta e, quando ela veio (na noite da terça-feira, dia
14/10, portanto, três dias antes do prazo final para inscrição de chapas),
decidiram organizar uma Chapa somente entre o grupo que já vinha se organizando
anteriormente – para o qual, inclusive, nunca fomos convidados a participar. Acreditamos
que tal decisão representa uma opção política.
Enquanto
aguardávamos a resposta, criamos um evento PÚBLICO no facebook chamando a
construção de uma Chapa de esquerda na UEM, na perspectiva de uma construção
unificada, onde se debatesse um programa, princípios, etc. Em nenhum momento
tivemos a iniciativa de lançar uma Chapa só nossa sem tentar a unidade ou não
esperamos uma resposta para formarmos uma Chapa, como alguns membros da Chapa
Voz Ativa relataram em comentários nas redes sociais.
Todas
as nossas atividades e reuniões foram e são divulgadas previamente e são
abertas, sendo essa a nossa forma de organização, assim como foi a organização
da Movimente-se UEM. Ao contrário do grupo que originou a Chapa Voz Ativa, que
há tempos vêm organizando reuniões para, segundo el@s: “discutir o movimento estudantil pela base, de forma plural e
democrática”, mas em nenhum momento fez o convite a nenhum de nós. Para
justificar tal fato, citam seu apartidarismo, porém, a grande maioria da nossa
Chapa Contra-Corrente é composta por estudantes sem vinculação partidária e
esse grupo sempre teve ciência disso.
Porque,
então, não nos convidar para as reuniões de um movimento, segundo el@s: “plural e democrático”? A nosso ver,
essa atitude na formação da Chapa Voz Ativa representa uma incompatibilidade
com algo fundamental para o Movimento Estudantil, a capacidade de, de fato,
discutir as divergências existentes e definir democraticamente o que fazer. É
isso o que queremos dizer quando defendemos um Movimento Estudantil amplamente
democrático: onde tod@s possam expor suas idéias, debatê-las e, então,
delibera-se algo. Com esse discurso e essa prática, a Chapa Voz Ativa acaba por
fazer exatamente o que critica e alega que os partidos fazem.
Um
espaço não é democrático quando só existe liberdade de discussão e deliberação
entre aquel@s que concordam em tudo. Por isso a Movimente-se UEM sempre deixou
o espaço aberto em suas reuniões para todos @s estudantes exporem suas
opiniões, concordando ou não conosco (mesmo a UNE, governista, participou em algumas
reuniões do DCE). Quando esse cerceamento se dá, ainda mais entre estudantes
que têm bandeiras muito parecidas e estão lado a lado nas lutas, fica ainda
mais evidente que o “democrático e plural”
não funciona bem assim...
Nossas divergências com o que
defende a Chapa Voz Ativa
A
Chapa Voz Ativa diz que entre el@s não há lideranças ou direções. Em todo
movimento existem pessoas que, talvez por maior experiência ou maior disponibilidade,
acabam tomando a frente de certas tarefas e mesmo da organização do grupo.
Certamente a Chapa Voz Ativa só existe hoje porque há pessoas que cumpriram essa
tarefa nesse grupo.
Outro
ponto importante que queremos abordar é a questão do “apartidarismo, mas não anti-partidarismo” que a Chapa Voz Ativa
aparentemente tem como principal principio de formação da chapa, já que esse
elemento consta com ênfase em seus materiais e passagens em sala.
Não
trataremos aqui o papel que os partidos cumprem e cumpriram historicamente no
Movimento Estudantil e nas organizações coletivas, pois isso demandaria uma
discussão mais aprofundada. Porém, todo partido representa um lado e não
entender isso - que existem partidos da classe trabalhadora e saber diferenciá-los
dos partidos que nos atacam -, é não saber quem são noss@s inimig@s e quem são
noss@s aliad@s. Nós sempre defendemos, desde a Movimente-se UEM: a AUTONOMIA
frente aos partidos políticos, o que significa que @s estudantes que se
organizam em partidos podem e devem defender suas opiniões, mas quem decide o
que fazer ou não é sempre o próprio movimento em suas decisões coletivas.
Afinal,
quanto maior a pluralidade de idéias dentro de um mesmo movimento, mais rico se
torna o debate e maior é a condição de tal movimento ter avanços. Cercear a
participação de grupos políticos que tenham bandeiras semelhantes parece mais
um receio de discutir e disputar opiniões.
A
Chapa Voz Ativa diz que não é anti-partidária, porém, vetou a participação de
militantes com vinculação a partidos políticos de esquerda (que sempre
estiveram nas lutas) nas reuniões e, posteriormente, na construção da Chapa. Para
eles, somente os “indivíduos” poderiam
participar. Ora, no que isso difere do discurso levado por setores ultra-conservadores
durante as manifestações de junho de 2013? Em junho tais setores alegavam que
éramos todos indivíduos e, portanto, não poderíamos nos apresentar com nada que
representasse algo coletivo (na época, até mesmo a Movimente-se UEM, sindicatos
e movimentos foram hostilizados, e não somente partidos políticos).
Na
prática, a Chapa Voz Ativa restringe a participação de partidos de esquerda ao
mesmo tempo em que libera a participação de “indivíduos”
que participam de partidos de direita. E isso, somado ao fato de não terem um
programa claramente de esquerda (algo que até os governistas da UNE
reivindicam, ao menos em palavras), representa um discurso cada vez menos
politizado e que pode levar à total flexibilidade de princípios. Para conseguir
mais adept@s para a Chapa tentam atrair tod@s @s estudantes, se utilizando do
método de não apresentar um claro caráter político, ideológico e programático.
Dizem
estar, acima de tudo, ao lado d@s estudantes, com centralidade nas pautas
locais, mas que lado é esse? As pautas d@s estudantes são desvinculadas do
conjunto da classe trabalhadora e da juventude? Acreditamos que não, pois os
problemas da UEM nascem, em grande parte, muito longe da Universidade.
Nós
sempre estivemos na luta (e vamos continuar) pelas pautas concretas, como a
abertura do RU, Casa do Estudante, contratação de professores, melhora na infraestrutura,
por maior assistência estudantil, contra o regulamento disciplinar discente,
etc.. Mas, para barrar o novo PNE do governo federal (que amplia a
transferência de verba pública para a educação privada e sucateia as
Universidades públicas pela ampliação de vagas sem estrutura), para reverter os
cortes de verba pra Educação, pra derrubar o monopólio das carteirinhas da UNE,
para acabar com a opressão (racismo, machismo e homofobia); a luta coletiva,
organizada nacionalmente e para além dos muros da UEM e de Maringá é mais que possível,
é necessária!
Travamos
com a Chapa Voz Ativa essa discussão, de cunho amplo e estratégico, porque
entendemos que ali existem valios@s companheir@s que, apesar das divergências,
estão conosco nas lutas. E, portanto, tratando-se de companheir@s, as
divergências devem ser sempre explicitadas e debatidas, da forma mais franca e
fraterna possível.
Seguimos
o debate.
Quem
não sabe contra quem luta não pode vencer!
Se os problemas são os mesmos, por que lutar separad@s?
Somente com a LUTA conseguiremos vitórias.
Vem com a gente! Junt@s, mesmo nadando CONTRA-CORRENTE, venceremos!
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