sábado, 25 de outubro de 2014

Se os problemas são os mesmos, por que lutarmos separad@s? Nossas divergências com a Chapa Voz Ativa


Muitas pessoas têm nos perguntado porque o Movimento Estudantil combativo da UEM saiu separado nessas eleições do DCE de 2014. Queremos com essa nota, explicar o motivo de lançarmos a Chapa 1 – Contra-Corrente e nossos desacordos, que se acentuaram no processo eleitoral, com pontos que @s companheir@os da Chapa 3 – Voz Ativa levam em sua campanha.

Desde o fim de 2010, a Movimente-se UEM funcionou como um grande aglutinador dos grupos, coletivos e estudantes combativos da UEM. Nos empenhamos muito em sua construção cotidiana, pois entendíamos que ela era uma ferramenta indispensável para a luta d@s estudantes contra a precarização imposta pelo governo Richa ao cotidiano da Universidade.

Porém, a partir da campanha da Movimente-se UEM nas eleições do DCE de 2013, começaram a aparecer, por parte do grupo que hoje organiza a Chapa Voz Ativa, desacordos com o conjunto da Movimente-se UEM. Inclusive, já na própria campanha, foi dado por parte de tais pessoas o indicativo de que construiriam um novo grupo político e isso se concretizou com o final do processo eleitoral e a derrota da Movimente-se UEM. Acreditamos que é legítimo e importante que se construam grupos variados no Movimento Estudantil, porém, criticamos a forma como isto se deu. Para nós, isso deve ser feito de maneira clara e honesta, e não “às escondidas”, como ocorreu, ainda mais entre aquel@s que se reivindicam do mesmo lado da luta.

Nas eleições da reitoria desse ano, o grupo que organizou e deu início à Chapa Voz Ativa, se dedicou totalmente à campanha pra Chapa vencedora, apoiando de forma ampla e irrestrita, sem uma linha sequer de crítica ao programa apresentado pela Chapa Atuar e Mudar ou em defesa da necessidade do Movimento Estudantil se organizar de forma independente da reitoria. Entendemos que, de fato, os professores Mauro Baesso e Júlio Damasceno (novos reitor e vice) representavam uma oposição ao que estava colocado para nós e uma possibilidade de avanço no diálogo com @s estudantes, porém de forma muito limitada. Acreditamos que tal posicionamento, acrítico, gera a ilusão n@s estudantes de que grande parte dos problemas da Universidade será resolvida através da reitoria e não com nossa organização e luta.

A divisão nas eleições do DCE
Apesar de tudo isso que apontamos acima, no processo de eleição do DCE desse ano, expusemos (mesmo que informalmente) aos membros dirigentes da Chapa Voz Ativa que acreditávamos que a esquerda deveria sair unificada nessas eleições, mas que se el@s optassem por sair separados, não nos absteríamos da participação no processo. Não houve resposta e, quando ela veio (na noite da terça-feira, dia 14/10, portanto, três dias antes do prazo final para inscrição de chapas), decidiram organizar uma Chapa somente entre o grupo que já vinha se organizando anteriormente – para o qual, inclusive, nunca fomos convidados a participar. Acreditamos que tal decisão representa uma opção política.

Enquanto aguardávamos a resposta, criamos um evento PÚBLICO no facebook chamando a construção de uma Chapa de esquerda na UEM, na perspectiva de uma construção unificada, onde se debatesse um programa, princípios, etc. Em nenhum momento tivemos a iniciativa de lançar uma Chapa só nossa sem tentar a unidade ou não esperamos uma resposta para formarmos uma Chapa, como alguns membros da Chapa Voz Ativa relataram em comentários nas redes sociais.

Todas as nossas atividades e reuniões foram e são divulgadas previamente e são abertas, sendo essa a nossa forma de organização, assim como foi a organização da Movimente-se UEM. Ao contrário do grupo que originou a Chapa Voz Ativa, que há tempos vêm organizando reuniões para, segundo el@s: “discutir o movimento estudantil pela base, de forma plural e democrática”, mas em nenhum momento fez o convite a nenhum de nós. Para justificar tal fato, citam seu apartidarismo, porém, a grande maioria da nossa Chapa Contra-Corrente é composta por estudantes sem vinculação partidária e esse grupo sempre teve ciência disso.

Porque, então, não nos convidar para as reuniões de um movimento, segundo el@s: “plural e democrático”? A nosso ver, essa atitude na formação da Chapa Voz Ativa representa uma incompatibilidade com algo fundamental para o Movimento Estudantil, a capacidade de, de fato, discutir as divergências existentes e definir democraticamente o que fazer. É isso o que queremos dizer quando defendemos um Movimento Estudantil amplamente democrático: onde tod@s possam expor suas idéias, debatê-las e, então, delibera-se algo. Com esse discurso e essa prática, a Chapa Voz Ativa acaba por fazer exatamente o que critica e alega que os partidos fazem.

Um espaço não é democrático quando só existe liberdade de discussão e deliberação entre aquel@s que concordam em tudo. Por isso a Movimente-se UEM sempre deixou o espaço aberto em suas reuniões para todos @s estudantes exporem suas opiniões, concordando ou não conosco (mesmo a UNE, governista, participou em algumas reuniões do DCE). Quando esse cerceamento se dá, ainda mais entre estudantes que têm bandeiras muito parecidas e estão lado a lado nas lutas, fica ainda mais evidente que o “democrático e plural” não funciona bem assim...

Nossas divergências com o que defende a Chapa Voz Ativa
A Chapa Voz Ativa diz que entre el@s não há lideranças ou direções. Em todo movimento existem pessoas que, talvez por maior experiência ou maior disponibilidade, acabam tomando a frente de certas tarefas e mesmo da organização do grupo. Certamente a Chapa Voz Ativa só existe hoje porque há pessoas que cumpriram essa tarefa nesse grupo.

Outro ponto importante que queremos abordar é a questão do “apartidarismo, mas não anti-partidarismo” que a Chapa Voz Ativa aparentemente tem como principal principio de formação da chapa, já que esse elemento consta com ênfase em seus materiais e passagens em sala.

Não trataremos aqui o papel que os partidos cumprem e cumpriram historicamente no Movimento Estudantil e nas organizações coletivas, pois isso demandaria uma discussão mais aprofundada. Porém, todo partido representa um lado e não entender isso - que existem partidos da classe trabalhadora e saber diferenciá-los dos partidos que nos atacam -, é não saber quem são noss@s inimig@s e quem são noss@s aliad@s. Nós sempre defendemos, desde a Movimente-se UEM: a AUTONOMIA frente aos partidos políticos, o que significa que @s estudantes que se organizam em partidos podem e devem defender suas opiniões, mas quem decide o que fazer ou não é sempre o próprio movimento em suas decisões coletivas.

Afinal, quanto maior a pluralidade de idéias dentro de um mesmo movimento, mais rico se torna o debate e maior é a condição de tal movimento ter avanços. Cercear a participação de grupos políticos que tenham bandeiras semelhantes parece mais um receio de discutir e disputar opiniões.

A Chapa Voz Ativa diz que não é anti-partidária, porém, vetou a participação de militantes com vinculação a partidos políticos de esquerda (que sempre estiveram nas lutas) nas reuniões e, posteriormente, na construção da Chapa. Para eles, somente os “indivíduos” poderiam participar. Ora, no que isso difere do discurso levado por setores ultra-conservadores durante as manifestações de junho de 2013? Em junho tais setores alegavam que éramos todos indivíduos e, portanto, não poderíamos nos apresentar com nada que representasse algo coletivo (na época, até mesmo a Movimente-se UEM, sindicatos e movimentos foram hostilizados, e não somente partidos políticos).

Na prática, a Chapa Voz Ativa restringe a participação de partidos de esquerda ao mesmo tempo em que libera a participação de “indivíduos” que participam de partidos de direita. E isso, somado ao fato de não terem um programa claramente de esquerda (algo que até os governistas da UNE reivindicam, ao menos em palavras), representa um discurso cada vez menos politizado e que pode levar à total flexibilidade de princípios. Para conseguir mais adept@s para a Chapa tentam atrair tod@s @s estudantes, se utilizando do método de não apresentar um claro caráter político, ideológico e programático.

Dizem estar, acima de tudo, ao lado d@s estudantes, com centralidade nas pautas locais, mas que lado é esse? As pautas d@s estudantes são desvinculadas do conjunto da classe trabalhadora e da juventude? Acreditamos que não, pois os problemas da UEM nascem, em grande parte, muito longe da Universidade.

Nós sempre estivemos na luta (e vamos continuar) pelas pautas concretas, como a abertura do RU, Casa do Estudante, contratação de professores, melhora na infraestrutura, por maior assistência estudantil, contra o regulamento disciplinar discente, etc.. Mas, para barrar o novo PNE do governo federal (que amplia a transferência de verba pública para a educação privada e sucateia as Universidades públicas pela ampliação de vagas sem estrutura), para reverter os cortes de verba pra Educação, pra derrubar o monopólio das carteirinhas da UNE, para acabar com a opressão (racismo, machismo e homofobia); a luta coletiva, organizada nacionalmente e para além dos muros da UEM e de Maringá é mais que possível, é necessária!

Travamos com a Chapa Voz Ativa essa discussão, de cunho amplo e estratégico, porque entendemos que ali existem valios@s companheir@s que, apesar das divergências, estão conosco nas lutas. E, portanto, tratando-se de companheir@s, as divergências devem ser sempre explicitadas e debatidas, da forma mais franca e fraterna possível.

Seguimos o debate.


Quem não sabe contra quem luta não pode vencer!





Se os problemas são os mesmos, por que lutar separad@s?

 Somente com a LUTA conseguiremos vitórias.

Vem com a gente! Junt@s, mesmo nadando CONTRA-CORRENTE, venceremos!

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